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Debate sobre violência contra mulher resulta em tumulto com Bolsonaro

Parlamentares e convidados da Câmara se envolveram em um tumulto nesta quarta-feira (14) durante a sessão da comissão geral da Casa que debatia a violência contra a mulher.

A confusão começou após a representante de um grupo de mulheres lésbicas ter dito que há na Câmara um deputado que usa a tribuna para fazer "apologia ao estupro", numa referência a Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Em junho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu dois processos contra Bolsonaro por injúria e apologia ao crime. Os processos foram abertos após o deputado ter declarado, na Câmara e em entrevista a um jornal, que a deputada Maria do Rosário (PT-RS)não merecia ser estuprada porque ele a considera "muito feia" e porque ela "não faz" seu "tipo".

“Eu vou falar sobre a cultura do estupro, sobre uma prática cruel e recorrente que violenta de forma particular as lésbicas: o estupro corretivo. Temos nesta Casa ao menos um acusado de estupro. Outro que usa este púlpito para fazer apologia ao estupro”, disse Ana Cládia Macedo, representante do movimento de mulheres lésbicas.

Fora do microfone, Bolsonaro começou a protestar contra a oradora, querendo que a fala de Ana Cládia fosse interrompida. Quem presidia a comissão geral era justamente Maria do Rosário, com quem Bolsonaro já teve outras discussões acaloradas.

A deputada garantiu a palavra à oradora e disse que a Câmara dos Deputados “não era um teatro”, em resposta aos protestos de Bolsonaro.

“A Câmara dos Deputados assegura seu pronunciamento como uma mulher lésbica. Pode seguir o pronunciamento”, disse Maria do Rosário diante de reclamações de Bolsonaro. A presidente da sessão também pediu apoio de seguranças da Casa para que a convidada pudesse continuar seu discurso. Houve tumulto no plenário da Câmara, com vaias e gritaria de parlamentares e convidados, tanto daqueles que estavam ao lado de Bolsonaro quanto dos que estavam contra.

Outra confusão
Após a fala de Ana Cláudia, a comissão teve novo tutmulto, minutos mais tarde, também envolvendo Bolsonaro.

Desta vez, a confusão começou após a vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), Daniela Teixeira, convidada da comissão, pedir punição a agressores de mulheres, citando o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

“Enquanto os agressores não forem punidos, a violência não vai diminuir. Eles devem ser punidos. Sejam quem for. Seja o marido da vítima […], seja o promotor que está abusando de uma vítima em uma audiência, ou seja um deputado que é réu, sim, numa ação já recebida no STF”, afirmou Daniela Teixeira.

“Aponta o nome dele!”, esbravejou Bolsonaro fora dos microfones.

“É o senhor, Jair Bolsonaro, réu no inquérito já admitido pelo STF”, respondeu a oradora.

A resposta da convidada causou alvoroço no plenário. Houve bate-boca e palavras de ordem contra e a favor do deputado do Rio de Janeiro.

Mais uma vez, o parlamentar reagiu e pediu que lhe fosse concedida a palavra pois havia sido citado. Inicialmente, Maria do Rosário negou a palavra a Bolsonaro e garantiu que a advogada continuasse com seu pronunciamento.

"Eu fui citado, fui chamado de (inaudível), ficam de demagogia aqui. Vai me dar a palavra sim", disse Bolsonaro.

Os ânimos se exaltaram, e Maria do Rosário decidiu suspender os trabalhos por alguns minutos por conta da gritaria.

 

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