Você está aqui: Página Inicial > Tive pouca relação com Eike em todo meu mandato, diz Lula

Tive pouca relação com Eike em todo meu mandato, diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta sexta-feira (23), que teve "pouca relação" com Eike Batista durante todo seu mandato, lembrando que, na época, ele "era tido como mais bem sucedido empresário brasileiro, uma figura bajulada".

Em depoimento espontâneo à Operação Lava Jato, o empresário citou um pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para fazer uma doação de R$ 5 milhões ao PT. A fala de Eike levou a um pedido de prisão temporária de Mantega, cujo mandado foi cumprido e revogado no mesmo dia.

"Nem sei se ele [Eike] disse aquilo mesmo", afirmou Lula em entrevista à Rádio Jornal. Para ele, se for mentira, o empresário "cometeu um crime". "Se cometeu um crime, paga pelo crime que cometeu", completou o ex-presidente.

Lula disse que ainda não conversou com ex-ministro após a operação realizada pela PF (Polícia Federal).

Ofendido

Lula afirmou que está "muito ofendido com o que está acontecendo no Brasil". "Jamais imaginei que a gente fosse ter um golpe parlamentar para destituir uma presidente eleita e ver uma cena como a Polícia Federal entrar em um centro cirúrgico e levar um cidadão para uma prisão temporária quando poderia intimá-lo para prestar quantos depoimentos fossem necessários", observou.

Mantega foi preso enquanto estava no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, acompanhando sua mulher, que passaria por uma cirurgia.

Para o ex-presidente, hoje, as "manchetes é que condenam as pessoas". "As pessoas não querem nem saber se é verdade. No meu caso, estão há dois anos investigando", disse. 

Na terça-feira (20), o juiz federal Sergio Moro, que comanda a Lava Jato, aceitou denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal) contra Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Com a decisão, o ex-presidente virou na operação.

"Juiz tem que ter convicção com base no processo, na prova. Isso me ofende, me preocupa. Democracia exige que as pessoas sejam mais responsáveis".

Risco

O ex-presidente reclamou da maneira com as investigações e as ações da Justiça estão ocorrendo. "Se político roubou, tem que ir para a cadeia. O que precisa é ter um julgamento correto", declarou.

"Quando a PF foi fazer a condução coercitiva [em 4 de março], foram levantar o meu colchão como seu eu fosse um bandido. Quando começam a exagerar no seu procedimento, a democracia começa a correr risco".

Lula, porém, disse não se arrepender de nenhuma nomeação que fez, por exemplo, para o STF (Supremo Tribunal Federal), que conduziu o julgamento do mensalão e também está envolvido com alguns dos investigados na Lava Jato.

"Não tenho arrependimento. A gente não indica as pessoas para proteger a gente, mas para ser guardião da constituição, da lei."

Asilo político?

Questionado sobre um boato de que o ex-presidente pediria asilo político caso fosse condenado foi negado por ele durante a entrevista. "O único país em que pediria asilo seria Garanhuns [cidade natal de Lula, em Pernambuco]. Isso é uma bobagem imensa. Eu jamais sairei do Brasil", declarou.

Ele afirmou que "não há nenhuma razão pra qualquer condenação". "A não ser boato de que tudo isso tem como objetivo impedir que o Lula seja candidato em 2018".

O ex-presidente aproveitou o tema e comentou os ataques que sofre nas redes sociais e avaliou o comportamento dos internautas. "A internet liberou o demônioque existe dentro das pessoas". Para Lula, é necessária alguma regulamentação "para que as pessoas parem de contar mentira'. "Esse cidadão precisa ser punido".

Lula disse saber que sua figura gera as mais diversas reações entre as pessoas. "Sei que tem gente que não gosta de mim, que me odeia. A sociedade é assim, o mundo é assim."

Sobre o racha que o país vive em função da crise política, o ex-presidente disse acreditar que esteja acontecendo "um retrocesso civilizatório". "Na Alemanha, na França, tem dois partidos e as pessoas não se matam na rua."

Compartilhar

Desenvolvido por